domingo, maio 08, 2005

O vício...


São dois os meus vícios... dois os meus sentidos de vida, distintos, incompatíveis...
Duas maneiras de ver, sentir, gostar...

O gosto de viver a vida, bem cedo, saudável, cheio de energia, objectivos, sorrisos.... sentir que vou dar o meu máximo por algo que acredito, que consigo realizar, sei que é o correcto e sinto-me bem por isso. Todo o esforço e sacríficio que deposito nessa acção, neste sentido, faz-me sentir enorme... a felicidade e o gozo no seu expoente máximo.

Mas... nem tudo é rosas... quando tu vens tudo muda e, eu meto-me no vício do inferno, à tua procura, na tua busca... mas nada encontro, nada vou ver... mas não conheço outra forma, outro desejo. E, eu só te queria ter junto a mim, ouvir a tua doce voz, sentir a felicidade junto a ti... O teu abraço, o teu afecto, tinha tanto para dar e, seríamos juntos imbatíveis. Mas sei que não é bem assim e, vou ter que me reconfortar, ter os pés bem assentes no chão... Tentar, reencontrar-te porque tu iludiste-me... não eras tu, outra vez, quem eu tanto (ainda) procuro...

Neste olhar, neste divertimento... que me queima, cansa, mata... o prazer às vezes é tão pouco, que nem dá vontade de viver! E apenas o olhar, da manhã a nascer é sentida ao teu lado, no teu ombro... onde nem a gélida brisa que só agora vê a luz do dia, parece afectar os meus movimentos... sentimentos tristes...
A solidão é triste...

Então eu acabo mais uma vez... nesta caminhada longa, fria... Mudo, frio e um pouco surdo como uma pedra chutada... apenas ouço os sons leves desta manhã da qual não vou viver, apenas sonhar... estou cansado, tenho pressa... quero esquecer! E assim nesta mágoa que escondo num caminhar apressado, num ar sério... escondo a minha dor!
Neste momento obscuro, meus olhos tomam uma vida própria... da beleza do amanhecer das cousas... a vida não há de ser tão triste.